Livro Observando a Natureza

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Ciclo Hidrológico Terrestre

Ciclo Hidrológico Clássico – Água (origem, uso e preservação)

A memória da humanidade refere à crença na existência de grandes reservatórios de água no interior da terra, que geravam fontes, lagos, rios e cujas águas escorriam em direção aos oceanos. Há registros de figuras mitológicas, cujo trabalho era carregar grandes potes de água e derramar na nascente de um determinado rio.
Aristóteles, referindo a Anaximandro de Mileto, que viveu cerca de 160-574 A.C., informa: “Era úmida, no princípio, toda região em volta da Terra. Ao ser ressecada pelo sol, a parte em evaporação origina os ventos e as revoluções do sol e da lua; o que sobra é mar. Pensam, portanto, que se torna menor por estar secando e finalmente, um dia secará de todo – Alexandre de Afrodisias, para a passagem 67,3: “Alguns deles afirmam ser o mar

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o resíduo da primeira umidade, pois sendo úmida a região em volta da Terra, depois uma parte da umidade por ação do sol e da lua, como se por ação do sol evapora-se e disso se originavam os ventos e órbitas do sol e da lua, como se por essa evaporações e exalações também aquelas (i.é, a umidade e região) fizessem as órbitas; donde a evolução desta (i. é, da primeira umidade) é diretriz para a deles (do sol e da lua), volvendo eles em torno nesse sentido. Mas a outra parte dela, depositada nos lugares côncavos da Terra, é mar: por isso ele se torna menor sempre que é ressecado pelo sol e por fim um dia ele será seco. Desta opinião foram, segundo narra Teofrasto, Anaximandro e Diógenes”.
O filósofo greco-macedôneo Aristóteles estudou o ciclo das águas e concluiu: “Aquilo que envolve a Terra não é apenas ar, mas uma espécie de vapor, e isto é que explica que ele se condense de novo em água ... do mesmo modo como as diminutas partículas de terra e de ouro podem, às vezes, flutuar à superfície da água, também a água se mantém em suspensão no ar. Mas o acúmulo de uma multidão de finas partículas dá origem a grandes gotas que tombam sobre a terra...”
O sábio descreveu o ciclo hidrológico iniciando através da evaporação dos oceanos, que satura a atmosfera a vapor d’água, sendo este transportado para os continentes pelos ventos.
Ao chegar sobre a terra firme o vapor d’água esfria-se, precipitando na forma de chuva. A água da chuva é coletada pela bacia hidrográfica, infiltrando-se no solo, preenchendo os espaços porosos existentes entre os grãos de areia, argila e rochas, constituindo depósito de água subterrânea, gerando fontes, lagos e rios.

 

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Terra

Esse conceito do Ciclo Hidrológico, cuja fonte energética está ligada ao sol, é considerado cientificamente. A Terra aproveita 40% da energia solar que chega até ela, gerando os ventos, transportando vapor d’água ao continente, produzindo a sua biomassa, neve, chuvas e rios dependem do ciclo hidrológico.
Sobre a crença nos grandes reservatórios de água no interior do planeta, no século XVII, Edme Mariotte e Claude Perrault mediram as precipitações pluviométricas e vazões das águas da bacia fluvial do Rio Sena, concluindo que a quantidade de água das chuvas era a mesma que formava o leito do rio.
Contemporaneamente, sabe-se que a água, ao infiltrar-se na terra está sujeita às forças devido à atração molecular ou adesão, a tensão superficial ou efeito da capilaridade, e a atração gravitacional. Em função das ações dessas forças e da natureza do terreno, ela pode se encontrar na zona de aeração ou zona saturada, formando os aqüíferos, que são verdadeiros reservatórios de água subterrânea. Devido ao peso das rochas, que exercem imensa pressão sobre a camada aqüífera, as águas sobem acima do seu nível original e jorram espontaneamente, formando poços artesianos estáveis; no entanto, os lençóis freáticos, freáticos, que se situam a pequena profundidade, podem aumentar ou diminuir conforme o ciclo das chuvas.

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Teoria do Calor Interno da Terra

Heráclito, filósofo pré-socrático, que floresceu há mil e quinhentos anos, teria escrito uma obra sobre a Natureza, opinou: “Nem um Deus nem um Homem fabricou o Universo, mas sempre foi e é e será um fogo sempre vivo que segundo suas próprias leis (métro) se acende e se apaga”. Segundo ele a natureza vive em transformação cíclica contínua; as substâncias surgem através do fogo e nele consumir-se-ão.
Em “Princípios de Filosofia”, publicado em 1644, Descartes propõe o seguinte: “A Terra é constituída de um núcleo central de fogo, assim como as estrelas, circundado de uma camada de material extremamente denso e sólido, à qual se seguiam, de

 

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dentro para fora, assim como as camadas de uma cebola: uma camada metálica, em seguida uma camada aquosa (uma atmosfera interior) e, por cima desta, um córtex superior rochoso (formado de pedras, argila, areia e limo). Finalmente, sobre tudo isso, a atmosfera. O córtex rochoso, entretanto, ressecou e afundou, invadindo o espaço vazio e a camada de água. Porém, como tinha superfície muito maior (pois era mais externa), as camadas se inclinaram, formando saliências e originando assim continentes, ilhas e montanhas. Dessa forma, em alguns montes, a camada rochosa ficou sob o oceano e, em outros, ela permaneceu acima do oceano, formando as regiões aflorantes, de terra firme”.
Em 1665, o germânico Athanasius Kirche sugeriu a presença de gases em turbulência e reservatório subterrâneo de fogo que geravam os vulcões em todo o globo.
Outros cientistas assim como Edmond Halley, Isaac Newton, Lord Kelvin e o escritor Jules Verne também opinaram sobre o assunto.
Halley explicou que a Terra era constituída internamente de esferas concêntricas. Newton assegurou que a densidade da matéria e a força gravitacional aumentavam com a profundidade.
Lord Kelvin e outros cientistas vitorianos concluíram que a Terra era rígida como aço e que perdia calor para o espaço. Chegaram a calcular o tempo de resfriamento, situando-se entre 20 a 100 milhões de anos. Charles Darwin contestou, pois sua teoria de evolução necessitava de um período mais longo.
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Alfred Wegner, meteorologista alemão, em 1912, começou a apoiar a hipótese da Deriva Continental, sugerindo que os continentes, no passado estiveram unidos, iniciando um trabalho de coleta de dados para comprová-la. Apenas quarenta anos após, as pesquisas em geologia, biologia, paleontologia, geografia e outras áreas nobres do conhecimento humano haviam encontrado inúmeros dados a seu favor, entre os quais, que os continentes formam um verdadeiro quebra-cabeça, podendo ser encaixados e demonstrados que estiveram unidos. A paleontologia detectou vestígios de vegetais e animais que viveram m=no mesmo habitat, encontrando-se, nos dias atuais, a quilômetros de distância.
O geólogo inglês Artur Holmes, em 1959, provou que o assoalho dos oceanos anda através do afloramento do magma nas cadeias dorsais mesooceânicas, solidificando-se 1 cm por ano em direção aos continentes. Com a invenção do magnetômetro, aparelho que mede o magnetismo terrestre, o fundo dos oceanos foi rastreado, comprovando suspeitas antigas de inversão magnética dos pólos da Terra a cada 200 mil anos. Estes dados transformando a hipótese, em Teoria científica.
A Teoria do Calor Interno da Terra contemporânea explica o Movimento das Placas Tectônicas ou Deriva Continental, através de correntes de convenções de material ígneo, viscoso, presente no manto, movimentando os continentes centímetros por ano, mas isso ao longo de milhões de anos, transforma a face da Terra, modifica o relevo e cria novos oceanos.
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